terça-feira, 18 de abril de 2017

Orações - Dia #09o - 12 dias preliminares


Orações nos 12 dias preliminares

9º Dia

Vinde, Espírito Criador

Vem, ó Criador Espírito,
As almas dos teus visita;
Os corações que criaste
Enche de graça infinita.

Tu paráclito és chamado,
Dom do Pai Celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção espiritual.

Tu dás septiforme graça;
Dedo és da destra paterna;
Do Pai, solene promessa,
Dás força da voz superna.

Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito acende,
Do nosso corpo a fraqueza
Com tua força defende.

De nós afasta o inimigo,
Dá-nos a paz sem demora,
Guiai-nos; e evitaremos
Tudo quanto se deplora.

Dá que Deus Pai e seu Filho
Por ti nós bem conheçamos
E em ti, Espírito de ambos,
Em todo tempo creiamos.

A Deus Pai se dê a glória
E ao Filho ressuscitado,
Paráclito e a ti também
Com louvor perpetuado. Amém.

Enviai o vosso Espírito, e tudo será criado
E renovareis a face da Terra.
Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo,
concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é reto, e gozemos sempre as suas
consolações. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.


Ave, Estrela do Mar

Ave do mar Estrela,
De Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada
Celeste feliz entrada.

Ó tu que ouviste da boca
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação;
E o nome de Eva troca.

As prisões a os réus desata
E a nós, cegos, alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.

Que os rogos do povo seu
Ouça aquele que, nascendo
Por nós, quis ser Filho teu.

Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura,
Extintos nossos pecados,
Dá-nos pureza e brandura.
Dá-nos uma vida pura,
Põe-nos em via segura,

Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.
A Deus Pai veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo; demos
Aos três louvor. Amém.


Magnificat

Minha alma engrandece o Senhor,
e meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
porque olhou para a humilhação de sua serva.
Sim! Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada,
pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor.
Seu nome é santo
e sua misericórdia perdura de geração em geração,
para aqueles que o temem.
Agiu com a força de seu braço,
dispersou os homens de coração orgulhoso.
Depôs poderosos de seus tronos,
e a humildes exaltou.
Cumulou de bens a famintos
e despediu ricos de mãos vazias.
Socorreu Israel, seu servo,
lembrado de sua misericórdia
- conforme prometera a nossos pais -
em favor de Abraão e de sua descendência
para sempre!

Tratado - Dia #09L - 12 dias preliminares


9º dia 

Artigo Segundo 

Pertencemos a Jesus e a Maria na qualidade de Escravos 

68. Segunda Verdade. Devemos concluir do que Jesus Cristo 
é para nós, que - como diz São Paulo - não somos nossos, 
mas inteiramente d'Ele, como Seus membros e escravos, comprados 
pelo preço infinitamente caro de todo o seu sangue (1 Cor 6, 19-20).  
Antes do Batismo pertencíamos ao diabo como 
seus escravos. 

Ao receber este sacramento, tornamo-nos verdadeiros 
escravos de Jesus Cristo. Doravante já não devemos viver,  
trabalhar e morrer senão para este Homem-Deus (Rm 7, 4), 
glorificando-o em nosso corpo (Rm 12, 1) e fazendo-o reinar 
em nossa alma. Somos, pois sua conquista, seu povo de aquisição 
e sua herança. É pela mesma razão que o Espírito Santo 
nos compara:  

- Às árvores plantadas ao longo das águas da graça, no 
campo da Igreja, e que devem dar frutos a seu tempo (Sl 1, 3).

- Aos ramos duma vinha de que Jesus é a cepa, e que 
devem dar boas uvas (Jo 15, 5).

- A um rebanho de que Jesus Cristo é o pastor, e que se 
deve multiplicar e dar leite (Jo 10, 1).

- A uma boa terra de que Deus é o agricultor, e na qual 
a semente se multiplica, produzindo trinta, sessenta ou cem 
por um (Mt 13, 3-8). 

Jesus Cristo amaldiçoou a figueira estéril e condenou 
o servo inútil, que não tinha feito render o seu talento (Mt 21,19; Mt 25, 24-30). Tudo isto prova que Jesus Cristo quer receber 
algum fruto das nossas pobres pessoas, a saber: as nossas 
obras, porque estas só a Ele pertencem: “Criados para as 
boas obras em Cristo Jesus” (Ef 2, 10). 

Mostram estas palavras do Espírito Santo que Jesus Cristo é 
o único princípio e deve ser o fim último de todas as nossas 
boas obras. Mostram ainda que o devemos servir, não somente 
como servos assalariados, mas como escravos de amor. 
Explico-me. 

69. Neste mundo, há duas maneiras de pertencer a outra 
pessoa e de depender da sua autoridade: a simples servidão e 
a escravidão, que fazem dum homem, respectivamente, um 
servo ou um escravo. Pela servidão, comum entre os cristãos, 
um homem compromete-se a servir outro durante um certo 
tempo, mediante determinada paga ou certa recompensa. Pela 
escravidão, um homem depende inteiramente de outro, por 
toda a vida, e deve servir o seu senhor sem pretender paga 
nem recompensa alguma, como um dos seus animais, sobre o 
qual o dono tem direito de vida e de morte. 

70. Há três espécies de escravidão: uma natural, outra forçada 
e outra voluntária. Todas as criaturas são escravas de 
Deus da primeira forma: “Ao Senhor pertence a Terra e tudo 
o que nela está contido” (Sl 23, 1). Os demônios e os réprobos 
pertencem à segunda categoria, os justos e os santos à 
terceira. A escravidão voluntária é mais perfeita e mais gloriosa 
para Deus, que olha ao coração, que pede o coração, 
que se chama o Deus dos corações (I Sm 16, 7; Sl 72, 26; Pr 23, 26), ou da vontade amorosa. Por esta escravidão, de fato, 
escolhe-se Deus e o seu serviço acima de todas as coisas, ainda 
mesmo que a natureza não obrigasse a isso. 

71. Há diferenças radicais entre um servo e um escravo: 

1º. Um servo não dá ao seu senhor tudo o que é nem 
tudo o que possui, nem tudo o que pode adquirir por si mesmo 
ou por outro. Mas o escravo dá-se inteiramente, com tudo 
o que possui ou pode vir a adquirir, sem exceção alguma. 

2º. O servo exige a paga dos serviços que presta ao 
senhor, enquanto o escravo nada pode exigir, por maior que 
seja a sua aplicação, a sua habilidade, e a força com que trabalha. 

3º. O servo pode deixar o senhor quando quiser ou, 
pelo menos, quando tiver expirado o tempo do serviço, mas o 
escravo não tem o direito de fazer isso.  

4º. O senhor do servo não tem sobre ele nenhum direito  
de vida e de morte, e se o matasse - como a um dos seus 
animais de carga - cometeria um homicídio injusto. Ao contrário, 
o senhor do escravo tem, por lei, direito de vida e de 
morte sobre ele, de modo que o pode vender a quem quiser, 
ou matar, como faria ao seu cavalo. 

5º. Finalmente, o servo está só por algum tempo ao 
serviço dum senhor, mas o escravo, para sempre. 

72. Nada há, entre os homens, que mais nos faça pertencer 
a outrem do que a escravidão. Do mesmo modo nada há entre 
os cristãos que nos faça pertencer mais absolutamente a Jesus 
Cristo e à sua Santa Mãe do que a escravidão voluntária. Isto 
é conforme o exemplo do próprio Jesus, que tomou a forma 
de escravo por nosso amor (Fl 2, 7), e da Santíssima Virgem 
que se disse serva e escrava do senhor (Lc 1, 38). O Apóstolo 
chama-se, com certa ufania, “servo de Cristo” (Rm 1, 1; Gl 1, 10; (Fl 1,1; Tt 1,1). Por várias vezes os cristãos são chamados, 
na Sagrada Escritura, de “servos de Cristo”. Segundo a 
justa observação de um grande homem, a palavra servo significava 
outrora apenas escravo porque ainda não havia servos 
como os de hoje. Os senhores só eram servidos por escravos 
ou libertos. O Catecismo do Concílio de Trento, para que não 
reste dúvida alguma sobre a nossa condição de escravos de 
Jesus Cristo, exprime-se por um termo que não se presta a 
equívocos, chamando-nos “escravos de Cristo”. 

73. Posto isto, digo que devemos ser de Jesus Cristo e servilo, 
não só como mercenários, mas como escravos amorosos. 
Estes, por efeito de um grande amor, entregam-se e dão-se ao 
seu serviço, na qualidade de escravos, só pela honra de lhe pertencer. 
Antes do Batismo éramos escravos do demônio. Tornounos 
o Batismo escravos de Jesus Cristo (Rm 6, 22). Portanto, os 
cristãos têm de ser escravos ou do demônio ou de Jesus Cristo. 

74. O que digo de modo absoluto a respeito de Jesus Cristo, 
digo-o relativamente da Santíssima Virgem. Jesus Cristo 
escolheu-a por companheira indissolúvel da sua vida, da sua 
morte, da sua glória e poder no Céu e na Terra. Por isso e por 
graça deu-lhe, em relação à sua Majestade, todos os mesmos 
direitos e privilégios que Ele possui por natureza: “Tudo o 
que convém a Deus por natureza, dizem os santos, convém a 
Maria por graça...”. Deste modo, segundo este ensinamento, 
têm ambos os mesmos súditos, servos e escravos, visto que os 
dois não têm senão uma só vontade e um só poder. 

75. Podemos, portanto, segundo o parecer dos santos e de 
vários homens ilustres, dizer-nos e fazer-nos escravos amorosos 
da Santíssima Virgem, para deste modo sermos mais 
perfeitamente escravos de Jesus Cristo. A Virgem é o meio de 
que nosso Senhor se serviu para vir a nós; é também o meio 
de que nos devemos servir para ir a Ele. Pois Ela não é como 
as outras criaturas que, se a elas nos prendêssemos, nos poderiam  
afastar de Deus em lugar de nos aproximar d'Ele. Mas a 
mais forte inclinação de Maria é unir-nos a Jesus seu Filho, 
e a mais forte inclinação do Filho é que se vá a Ele por sua 
Mãe. Isto honra-o e agrada-lhe tanto como honraria e agradaria 
a um rei alguém que, para se tornar mais perfeitamente 
seu vassalo e escravo, se fizesse escravo da rainha. É por isso 
que os Santos Padres, e São Boaventura com eles, dizem que 
“a Virgem Santíssima é o caminho para ir a Nosso Senhor”. 

76. Além disso, se, como já disse, a Santíssima Virgem é a 
rainha e soberana do Céu e da Terra, não tem Ela tantos súditos 
e escravos quantas são as criaturas? Dizem-no Santo 
Anselmo, São Bernardino e São Boaventura: “Ao poder de 
Deus tudo está submisso, mesmo a Virgem, e eis que ao poder 
da Virgem está tudo submisso, até o próprio Deus”. Não será 
razoável que entre tantos escravos por força os haja também 
por amor, que de boa vontade e na qualidade de escravos escolham 
Maria por sua soberana? O quê?! Os homens e os 
demônios têm seus escravos voluntários e Maria não os há de 
ter? Um rei terá a peito que a rainha, sua companheira, possua 
escravos, com direito de vida e de morte sobre eles, porque 
a honra e o poder do rei são a honra e o poder da rainha. 

Pode-se então acreditar que Nosso Senhor, que partilhou, como 
o melhor dos filhos, todo o poder com sua Santa Mãe, ache 
mal que Ela tenha escravos? Terá Ele menos respeito e amor 
à sua Mãe do que teve Assuero a Ester e Salomão a Betsabé? 
Quem ousaria dizê-lo ou pensá-lo sequer? 

77. Mas onde me leva a minha pena? Por que é que me 
detenho aqui em provar uma coisa tão evidente? Se não querem 
que alguém se diga escravo da Santíssima Virgem, que 
importa? Que se faça e se diga escravo de Jesus Cristo! É o 
mesmo que sê-lo da Santíssima Virgem, visto que Jesus é o 
fruto e a glória de Maria. Faz-se isto de maneira perfeita por 
meio da Devoção de que mais adiante falaremos. 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Orações - Dia #08o - 12 dias preliminares


Orações nos 12 dias preliminares

8º Dia

Vinde, Espírito Criador

Vem, ó Criador Espírito,
As almas dos teus visita;
Os corações que criaste
Enche de graça infinita.

Tu paráclito és chamado,
Dom do Pai Celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção espiritual.

Tu dás septiforme graça;
Dedo és da destra paterna;
Do Pai, solene promessa,
Dás força da voz superna.

Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito acende,
Do nosso corpo a fraqueza
Com tua força defende.

De nós afasta o inimigo,
Dá-nos a paz sem demora,
Guiai-nos; e evitaremos
Tudo quanto se deplora.

Dá que Deus Pai e seu Filho
Por ti nós bem conheçamos
E em ti, Espírito de ambos,
Em todo tempo creiamos.

A Deus Pai se dê a glória
E ao Filho ressuscitado,
Paráclito e a ti também
Com louvor perpetuado. Amém.

Enviai o vosso Espírito, e tudo será criado
E renovareis a face da Terra.
Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo,
concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é reto, e gozemos sempre as suas
consolações. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.


Ave, Estrela do Mar

Ave do mar Estrela,
De Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada
Celeste feliz entrada.

Ó tu que ouviste da boca
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação;
E o nome de Eva troca.

As prisões a os réus desata
E a nós, cegos, alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.

Que os rogos do povo seu
Ouça aquele que, nascendo
Por nós, quis ser Filho teu.

Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura,
Extintos nossos pecados,
Dá-nos pureza e brandura.
Dá-nos uma vida pura,
Põe-nos em via segura,

Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.
A Deus Pai veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo; demos
Aos três louvor. Amém.


Magnificat

Minha alma engrandece o Senhor,
e meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
porque olhou para a humilhação de sua serva.
Sim! Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada,
pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor.
Seu nome é santo
e sua misericórdia perdura de geração em geração,
para aqueles que o temem.
Agiu com a força de seu braço,
dispersou os homens de coração orgulhoso.
Depôs poderosos de seus tronos,
e a humildes exaltou.
Cumulou de bens a famintos
e despediu ricos de mãos vazias.
Socorreu Israel, seu servo,
lembrado de sua misericórdia
- conforme prometera a nossos pais -
em favor de Abraão e de sua descendência
para sempre!

Tratado - Dia #08L - 12 dias preliminares


8º dia

CAPÍTULO SEGUNDO

VERDADES FUNDAMENTAIS 
DA DEVOÇÃO À VIRGEM MARIA

60. Até aqui dissemos alguma coisa sobre a necessidade 
que temos da Devoção à Santíssima Virgem. Faz-se necessário 
dizer agora em que consiste esta mesma Devoção. É o que 
farei, com a ajuda de Deus, depois de propor algumas verdades 
fundamentais, donde se deduzirá a grande e sólida Devoção que 
quero descobrir. 

Artigo Primeiro 

Jesus Cristo é o Fim Último da Devoção à Virgem Maria 

61. Primeira Verdade. Jesus Cristo, nosso Salvador, verdadeiro 
Deus e verdadeiro homem, deve ser o fim último de 
todas as devoções, de outro modo seriam falsas e enganadoras. 
Jesus é o alfa e o ômega, o princípio e o fim de todas as 
coisas. Nós não trabalhamos - como diz o Apóstolo - senão 
para tornar cada homem perfeito em Jesus Cristo. Porque só 
n'Ele habita toda a plenitude da Divindade, e todas as outras 
plenitudes de graça, virtude e perfeição, e só n'Ele fomos abençoados 
com toda a bênção espiritual. Ele é o nosso único 
Mestre que nos deve ensinar, o único Senhor de quem devemos 
depender, o único Chefe a quem nos devemos unir, o 
único Modelo ao qual nos devemos assemelhar, o único Médico 
que nos há de curar, o único Pastor que nos deve alimentar, 
o Caminho único que nos deve conduzir, a única Verdade 
em que devemos crer, a única Vida que nos deve animar, 
o único Tudo, que nos deve bastar em todas as coisas. Não 
nos foi dado, debaixo do Céu, outro Nome pelo qual devamos 
ser salvos, senão o Nome de Jesus. 

Deus não constituiu outro fundamento da nossa salvação, 
perfeição e glória senão Jesus Cristo. Todo edifício que 
não estiver erguido sobre esta pedra firme está construído sobre 
areia movediça e, mais cedo ou mais tarde, acabará, infalivelmente, 
por cair. 

Todo fiel que não estiver unido a Jesus, como o 
sarmento à cepa da vinha, cairá, secará, e só servirá para ser 
lançado ao fogo. Fora de Jesus Cristo tudo é extravio, mentira, 
iniqüidade, inutilidade, morte e condenação. 

Mas, se estamos em Jesus Cristo e Jesus Cristo em 
nós, não há condenação a temer. Porque assim nem os anjos 
do Céu, nem os homens da Terra, nem os demônios do inferno, 
nem qualquer outra criatura nos pode prejudicar, pois não 
nos poderá separar da caridade de Deus, que está em Jesus 
Cristo (Rm 8, 39). Por Jesus Cristo, com Jesus Cristo, em 
Jesus Cristo podemos tudo: dar toda honra e glória ao Pai, na 
unidade do Espírito Santo, tornar-nos perfeitos e ser, para o 
nosso próximo, um bom odor de vida eterna. 

62. Se, pois, nós estabelecermos a sólida Devoção da 
Santíssima Virgem, não será senão para mais perfeitamente 
estabelecer a de Jesus Cristo, e para dar às almas um meio 
fácil e seguro de encontrar Jesus Cristo. Se a Devoção à 
Santíssima Virgem afastasse de Jesus Cristo, deveríamos repeli-la como uma ilusão do demônio. Mas muito pelo contrário, 
como já o fiz ver e voltarei a mostrar mais adiante, esta 
Devoção é-nos indispensável para encontrar perfeitamente 
Jesus Cristo, para o amar ternamente e servir com fidelidade. 

63. Aqui volto-me um momento para Vós, ó meu amável 
Jesus, para queixar-me amorosamente à Vossa Divina Majestade, 
de que a maior parte dos cristãos, mesmo os mais instruídos, 
não saiba a ligação necessária entre Vós e Vossa Santa 
Mãe. Vós estais sempre com Maria, Senhor, e Ela está sempre 
convosco, nem pode estar sem Vós, pois deixaria de ser o 
que é. Maria está de tal modo transformada em Vós pela graça 
que já não vive, já nem existe: só Vós, meu Jesus, é que 
viveis e reinais n'Ela, mais perfeitamente que em todos os 
anjos e bem-aventurados. Ah! Se os homens conhecessem a 
glória e o amor que recebeis desta admirável criatura, teriam 
sobre Vós e sobre Ela sentimentos muito diferentes dos que 
têm. Ela Vos está tão intimamente unida que seria mais fácil 
separar a luz do Sol ou o calor do fogo. Digo ainda mais: 
seria mais fácil separar de Vós todos os anjos e santos, do que 
Maria Santíssima. Ela Vos ama, pois, mais ardentemente e Vos 
glorifica mais perfeitamente que todas as outras criaturas juntas. 

64. Depois disto, meu amável Mestre, não é coisa espantosa 
e lamentável ver a ignorância e as trevas de todos os 
homens deste mundo a respeito da Vossa Santa Mãe? Não 
falo tanto dos idólatras e pagãos que não Vos conhecem e, por 
isso, não se preocupam em conhecê-la. Nem falo sequer dos 
heréticos e cismáticos, que não cuidam de ser devotos da Vossa 
Santa Mãe, já que estão separados de Vós e de Vossa Igreja. 

Falo dos cristãos católicos, e mesmo dos doutores entre os 
católicos, que não Vos conhecem nem à Vossa Santa Mãe, 
senão duma maneira especulativa, seca, estéril e indiferente, 
embora façam profissão de ensinar a verdade aos outros. Estes 
senhores só raramente falam da Vossa Mãe e da devoção 
que se lhe deve ter, porque dizem temer que se abuse dela e 
que se faça a Vós injúria, honrando demasiadamente Vossa 
Santa Mãe. Um devoto da Santíssima Virgem fala da Devoção 
a esta boa Mãe duma forma terna, forte e persuasiva, como 
dum meio seguro e sem ilusão, dum caminho curto e sem 
perigo, duma via imaculada e sem imperfeição e dum maravilhoso 
segredo para Vos encontrar e amar perfeitamente. Mas, 
se esses senhores vêem ou ouvem alguém muitas vezes falar 
assim, levantam-se contra ele e apresentam mil falsas razões 
para lhe provar que não se deve falar tanto da Santíssima Virgem, 
que há grandes abusos nessa Devoção, que é preciso 
empenhar-se em destruí-los e em falar mais de Vós, de preferência, 
a levar os povos à Devoção a Maria, a quem já amam 
bastante. 

Por vezes falam da Devoção à Vossa Santa Mãe, ó Jesus, 
não para a estabelecer e propagar, mas para destruir os 
abusos que dela se fazem. Estes senhores não têm piedade 
nem Devoção terna para convosco, por não terem nenhuma a 
Maria. Consideram o Rosário, o escapulário, o Terço, como 
devoções de efeminados, próprias para ignorantes, e sem as 
quais nos podemos salvar. E se lhes cai em mãos algum devoto 
da Santíssima Virgem, que reze o Terço ou se entregue a 
qualquer outra prática de devoção para com Ela, depressa lhe 
mudarão o coração e o pensar. Aconselham que se reze, em 
lugar do Terço, os sete salmos. Em lugar da Devoção a Nossa 
Senhora, recomendar-lhe-ão a Devoção a Jesus Cristo. 

Ó meu amável Jesus, terão estas pessoas o Vosso espírito? 
Dão-Vos gosto procedendo deste modo? Agradar-Vos-á 
quem não empregue todos os esforços para agradar à Vossa 
Mãe, com receio de Vos desagradar? Por acaso, a Devoção à 
Vossa Santa Mãe impedirá a Vossa? Atribui-se Ela a si mesma 
a honra que lhe prestam? Forma Ela um partido à parte? É 
Ela uma estrangeira sem ligação alguma convosco? Desagradar-Vos-á quem procure agradar-lhe a Ela? Separa-se ou afasta-se do Vosso Amor quem a Ela se dá e a ama? 

65. No entanto, meu amável Mestre, se tudo o que acabo 
de dizer fosse verdade, a maioria dos sábios, para castigo do 
seu orgulho, não poderia afastar mais as almas da Devoção à 
Vossa Santa Mãe, e não lhe poderia votar mais indiferença. 
Livrai-me Senhor, livrai-me dos seus sentimentos e práticas. 

Dai-me parte nos sentimentos de gratidão, de estima, de respeito 
e de amor que Vós tendes para com Vossa Santa Mãe, 
para que Vos ame e glorifique mais na medida em que Vos 
imitar e seguir de mais perto. 

66. Como se até aqui ainda nada tivesse dito em louvor de 
Vossa Mãe Santíssima concedei-me a graça de a louvar dignamente, 
apesar de todos os Seus inimigos que são os Vossos. 
Fazei que clame com os santos: “Não julgue receber a misericórdia 
de Deus aquele que ofende sua Santa Mãe!” 

67. Para obter da Vossa misericórdia uma Verdadeira Devoção 
à Vossa Mãe Santíssima, e para inspirá-la a todo o 
mundo, fazei que Vos ame ardentemente. Recebei para isso a 
oração inflamada que Vos dirijo com Santo Agostinho e com 
os Vossos verdadeiros amigos: 

“Ó meu Jesus, Vós sois o Cristo, meu Pai Santo, meu 
Deus misericordioso, meu Rei infinitamente grande. Vós sois 
o meu Bom Pastor, meu único Mestre, meu Auxílio todo bondade, 
meu Bem-amado de arrebatadora beleza, meu Pão da 
Vida, meu Sacerdote eterno. Vós sois o meu Guia para a Pátria, 
minha Luz verdadeira, minha Doçura toda Santa, meu 
Caminho direto. Vós sois a minha Sabedoria sublime, minha 
Simplicidade pura, minha pacífica Concórdia. Vós sois toda 
a minha Defesa, minha preciosa Herança, minha eterna Salvação. 

Ó Jesus Cristo, Mestre adorável, porque é que eu amei 
ou desejei em toda a minha vida outra coisa fora de Vós, 
Jesus, meu Deus?! Onde estava eu quando não pensava em 
Vós?! Que o meu coração, ao menos a partir deste momento, 
só arda em desejos de Vós, Senhor Jesus; que só para Vos 
amar ele se dilate. Desejos da minha alma, correi doravante: 
já basta de delongas! Apressai-vos a atingir o fim porque 
aspirais, buscai em verdade Aquele que procurais! 

Ó Jesus, seja anátema quem não Vos amar! Seja repleto 
de amargura! Ó doce Jesus, sêde o amor, as delícias e o 
objeto da admiração de todo coração dignamente consagrado 
à Vossa glória. Deus do meu coração e minha herança, 
divino Jesus, que o meu coração esvazie-se do seu próprio 
espírito, para que Vós possais viver em mim, acendendo em 
minha alma a brasa ardente do Vosso Amor, que seja o princípio 
de um incêndio todo divino. Arda incessantemente sobre 
o altar do meu coração, inflame o mais íntimo do meu 
ser, e abrase as profundezas da minha alma. Que no dia da 
minha morte eu compareça diante de Vós todo consumido no 
Vosso Amor! Amém. Assim seja.” 

Embora o texto original traga esta admirável oração 
de Santo Agostinho em latim, quis o editor pô-la em português, 
a fim de que as pessoas que não saibam latim a possam 
rezar também todos os dias para pedir o Amor de Jesus, que 
buscamos por intermédio da divina Maria. 

domingo, 16 de abril de 2017

Orações - Dia #07o - 12 dias preliminares


Orações nos 12 dias preliminares

7º Dia

Vinde, Espírito Criador

Vem, ó Criador Espírito,
As almas dos teus visita;
Os corações que criaste
Enche de graça infinita.

Tu paráclito és chamado,
Dom do Pai Celestial,
Fogo, caridade, fonte
Viva e unção espiritual.

Tu dás septiforme graça;
Dedo és da destra paterna;
Do Pai, solene promessa,
Dás força da voz superna.

Nossa razão esclarece,
Teu amor no peito acende,
Do nosso corpo a fraqueza
Com tua força defende.

De nós afasta o inimigo,
Dá-nos a paz sem demora,
Guiai-nos; e evitaremos
Tudo quanto se deplora.

Dá que Deus Pai e seu Filho
Por ti nós bem conheçamos
E em ti, Espírito de ambos,
Em todo tempo creiamos.

A Deus Pai se dê a glória
E ao Filho ressuscitado,
Paráclito e a ti também
Com louvor perpetuado. Amém.

Enviai o vosso Espírito, e tudo será criado
E renovareis a face da Terra.
Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo,
concedei-nos que no mesmo Espírito conheçamos o que é reto, e gozemos sempre as suas
consolações. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.


Ave, Estrela do Mar

Ave do mar Estrela,
De Deus Mãe bela,
Sempre Virgem, da morada
Celeste feliz entrada.

Ó tu que ouviste da boca
Do anjo a saudação;
Dá-nos paz e quietação;
E o nome de Eva troca.

As prisões a os réus desata
E a nós, cegos, alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.

Que os rogos do povo seu
Ouça aquele que, nascendo
Por nós, quis ser Filho teu.

Ó Virgem especiosa,
Toda cheia de ternura,
Extintos nossos pecados,
Dá-nos pureza e brandura.
Dá-nos uma vida pura,
Põe-nos em via segura,

Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.
A Deus Pai veneremos;
A Jesus Cristo também,
E ao Espírito Santo; demos
Aos três louvor. Amém.


Magnificat

Minha alma engrandece o Senhor,
e meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
porque olhou para a humilhação de sua serva.
Sim! Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada,
pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor.
Seu nome é santo
e sua misericórdia perdura de geração em geração,
para aqueles que o temem.
Agiu com a força de seu braço,
dispersou os homens de coração orgulhoso.
Depôs poderosos de seus tronos,
e a humildes exaltou.
Cumulou de bens a famintos
e despediu ricos de mãos vazias.
Socorreu Israel, seu servo,
lembrado de sua misericórdia
- conforme prometera a nossos pais -
em favor de Abraão e de sua descendência
para sempre!

Tratado - Dia #07L - 12 dias preliminares


7º dia

I. Ofício Especial de Maria 
nos Últimos Tempos

49. A salvação do mundo começou por Maria, e é por Ela 
que se deve consumar. Na primeira vinda de Jesus Cristo, 
Maria quase não apareceu, a fim de que os homens, ainda 
pouco instruídos e esclarecidos sobre a pessoa de seu Filho, 
não se afastassem da verdade, apegando-se muito intensa e 
grosseiramente a Ela. Sendo a Virgem conhecida, é provável 
que isso tivesse acontecido por causa dos encantos admiráveis 
que o Altíssimo lhe tinha concedido, mesmo exteriormente.

Tanto assim é que São Dionísio Areopagita deixou escrito 
que, quando a viu, a teria tomado por uma divindade, - devido aos 
Seus secretos atrativos e à sua beleza incomparável -, se a fé, em que 
estava bem confirmado, lhe não tivesse garantido o contrário. 
Mas, na segunda vinda de Jesus Cristo, Maria tem de 
ser conhecida e, por isso, deve ser manifestada pelo Espírito 
Santo. Por Ela fará Conhecer, Amar e Servir Jesus Cristo, 
uma vez que já não subsistem as razões que o levaram a ocultar, 
durante a vida, a sua Esposa, e a revelá-la só muito pouco, 
desde a pregação do Santo Evangelho. 

50. Deus quer, portanto, revelar e manifestar Maria, a obraprima 
das suas mãos, nesses derradeiros tempos. 

1º. Porque Ela se escondeu neste mundo, e se colocou 
mais abaixo que o pó, em sua humildade profunda, tendo obtido 
de Deus, dos Seus Apóstolos e Evangelistas, que não fosse 
manifestada. 

2º. Porque Ela é obra-prima saída das mãos de Deus, 
tanto na Terra pela graça, como no Céu pela glória. Por isso 
Deus quer, por meio d’Ela, ser louvado e glorificado sobre a 
terra pelos viventes. 

3º. Sendo a aurora que precede e descobre o Sol da 
Justiça, Jesus Cristo, Maria deve ser conhecida e vista, para 
que Jesus o seja também. 

4º. Visto ser Ela o caminho por onde Jesus Cristo veio 
a nós da primeira vez, haverá de sê-lo ainda quando Ele vier 
pela segunda, embora de maneira diversa. 

5º. Como é Maria o meio seguro, a via reta e imaculada 
para ir a Jesus Cristo e para o encontrar perfeitamente, é por 
Ela que o devem achar as almas chamadas a brilhar em santidade. 
Aquele que achar Maria, achará a vida (Pr 8, 35), isto é, 
encontrará Jesus Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida 
(Jo 14, 6). Mas não a pode achar quem a não procurar; não 
pode procurá-la quem a não conhecer: pois não se busca nem 
se deseja um objeto desconhecido. É pois necessário que Maria 
seja conhecida mais do que nunca, para maior conhecimento 
e glória da Santíssima Trindade. 

6º. Maria deve brilhar mais do que nunca em misericórdia, 
em força e em graça nestes últimos tempos.
Em misericórdia, para reconduzir e receber amorosamente 
os pobres pecadores e extraviados, que se converterão 
e regressarão à Igreja Católica. 
Em força, para se opor aos inimigos de Deus, aos idólatras, 
cismáticos, maometanos, judeus e ímpios endurecidos, 
que se revoltarão terrivelmente, para seduzir e fazer cair, por 
meio de promessas e ameaças, todos os que lhes forem contrários. 
E, finalmente, Ela deve brilhar em graça, para animar 
e suster os valorosos soldados e fiéis servos de Jesus Cristo, 
que combaterão pelos Seus interesses. 

7º. Enfim, Maria deve ser terrível para o demônio e 
seus sequazes, como um exército disposto em linha de 
batalha (Ct 6, 3.9), principalmente nestes últimos tempos. A razão 
disso é que o demônio intensifica todos os dias seus esforços 
e combates, visto saber bem que tem pouco tempo (Ap 12, 
12), e muito menos do que nunca, para perder as almas. Suscitará 
em breve cruéis perseguições, e armará terríveis emboscadas 
aos servos fiéis e verdadeiros filhos de Maria, pois 
lhe são precisos mais esforços para vencer estes do que os 
outros. 

51. Estas últimas e cruéis perseguições do demônio aumentarão 
dia a dia, até vir o Reino do Anticristo. É principalmente 
a estas que se deve aplicar a primeira e célebre predição 
e maldição de Deus proferida no Paraíso Terrestre contra 
a serpente. Vem a propósito explicá-la aqui, para a glória da 
Santíssima Virgem, salvação dos Seus filhos e confusão do 
demônio. 

“Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência 
e a d'Ela; Ela te esmagará a cabeça, e tu armarás 
ciladas ao seu calcanhar” (Gn 3, 15). 

52. Deus nunca estabeleceu e formou senão uma única inimizade, 
mas esta irreconciliável, devendo durar e mesmo aumentar 
até o fim. É a inimizade entre Maria, sua digna Mãe, e 
o demônio; entre os filhos e servos da Santíssima Virgem e os 
filhos e satélites de Lúcifer. Deste modo, o inimigo mais terrível 
que Deus constituíu contra o demônio é Maria, sua Santa 
Mãe. E Maria, ainda existindo apenas na mente de Deus, 
foi por Ele dotada, desde o Paraíso Terrestre, de tanto ódio 
contra este maldito inimigo, tanta diligência em descobrir a 
malícia desta antiga serpente, tanta força para vencer, aniquilar 
e esmagar este ímpio orgulhoso, que este a teme, não só 
mais que a todos os anjos e homens, mas, num certo sentido, 
mais do que ao próprio Deus. Não é que a ira, o ódio e o 
poder de Deus não sejam infinitamente superiores aos da 
Santíssima Virgem, visto as perfeições d'Ela serem limitadas. 

Mas é que: 
Em primeiro lugar, Satanás, sendo orgulhoso, sofre 
infinitamente mais em ser vencido e castigado por uma pequena 
e humilde serva de Deus, e a humildade desta humilhao 
mais que o poder divino. 

Em segundo lugar, Deus conferiu a Maria um tão grande 
poder sobre os demônios, que eles temem mais um único dos 
Seus suspiros por alguma alma, que as orações de todos os 
santos, e uma só das suas ameaças, mais que qualquer outro 
tormento. Isto foram eles obrigados a confessar muitas vezes, 
ainda que de má vontade, pela boca dos possessos. 

53. O que Lúcifer perdeu por orgulho, ganhou-o Maria pela 
sua humildade; o que Eva condenou e perdeu pela desobediência, 
salvou-o Maria obedecendo. Eva, ao obedecer à serpente, 
perdeu consigo todos os seus filhos e entregou-os ao 
demônio. Maria, tendo sido perfeitamente fiel a Deus, salvou 
juntamente consigo todos os Seus filhos e servos, e consagrou-
os à Divina Majestade (Santo Irineu). 

54. Deus constituiu não somente uma inimizade, mas “inimizades”, 
não apenas entre Maria e o demônio, mas também 
entre a descendência da Virgem Santa e a de Satanás. Isto 
quer dizer que Deus estabeleceu inimizades, antipatias e ódios 
secretos entre os verdadeiros filhos e servos da Santíssima 
Virgem e os filhos e escravos do demônio: eles não se amam, 
nem têm qualquer correspondência interior uns com os outros. 
Os filhos de Belial (Dt 13, 13), os escravos de Satanás, 
os amigos do mundo (não há diferença), até hoje perseguiram 
sempre, e perseguirão mais do que nunca, aqueles que pertencem 
à Santíssima Virgem, como outrora Caim perseguiu 
seu irmão Abel, e Esaú perseguiu Jacó, figuras dos réprobos e 
dos predestinados. Mas a humilde Maria alcançará sempre a 
vitória sobre este orgulhoso, e essa vitória será tão grande 
que chegará a esborrachar-lhe a cabeça, onde reside o seu 
orgulho. Ela descobrirá sempre a sua malícia de serpente, e 
porá a descoberto as suas tramas infernais. Dissipará os seus 
conselhos e protegerá, até o fim dos tempos, os Seus servos 
fiéis contra aquelas garras cruéis. 

Mas o poder de Maria sobre todos os demônios brilhará 
particularmente nos últimos tempos, em que Satanás armará 
ciladas contra o seu calcanhar, ou seja, contra os humildes 
escravos e pobres filhos, que Ela suscitará para lhe fazer guerra. 
Eles serão pequenos e pobres na opinião do mundo, humilhados 
perante todos, calcados e perseguidos como o calcanhar 
o é em relação aos outros membros do corpo. Mas, em 
troca, serão ricos da graça de Deus, que Maria lhes distribuirá 
abundantemente. Serão grandes e de elevada santidade diante 
de Deus, e superiores a toda criatura pelo seu zelo ardente. 
Estarão tão fortemente apoiados no socorro divino que esmagarão, 
com a humildade de seu calcanhar e em união com 
Maria, a cabeça do demônio, fazendo triunfar Jesus Cristo. 

II. Os Apóstolos dos Últimos Tempos

55. Enfim, Deus quer que sua Mãe seja hoje mais conhecida, 
mais amada e mais honrada do que nunca. Isso acontecerá, 
sem dúvida, se os predestinados entrarem, com a graça e 
a luz do Espírito Santo, na prática interior e perfeita que 
seguidamente lhes descobrirei. Verão então, com tanta claridade 
quanto a fé lhes permitir, a formosa estrela do mar, e, se 
obedecerem às suas diretivas, chegarão a bom porto apesar 
das tempestades e dos piratas. Conhecerão as grandezas desta 
soberana e devotar-se-ão inteiramente ao seu serviço, como 
Seus súditos e Seus escravos de amor. Experimentarão as suas 
doçuras e bondades maternais, e amar-lhe-ão ternamente, 
como Seus filhos muito queridos. Conhecerão as misericórdias 
de que Ela é cheia, e sentirão a necessidade que têm do 
seu socorro. Recorrerão sempre a Ela, em todas as coisas, 
como sua querida advogada e medianeira junto de Jesus Cristo. 
Compreenderão que Ela é o meio mais fácil, mais curto, 
mais perfeito para irem a Jesus, e a Ela se entregarão de corpo 
e alma, sem reservas, para do mesmo modo pertencerem a 
Jesus Cristo. 

56. Mas quem serão esses servos, escravos e filhos de 
Maria?
Serão “ministros do Senhor” (Hb 1, 7; Sl 103, 4) que, 
qual fogo crepitante, levarão a toda parte as chamas do Amor 
Divino. 
Serão “setas na mão do Poderoso” (Sl 126, 4), flechas 
agudas nas mãos poderosas de Maria para trespassarem os 
seus inimigos. 
Serão “filhos de Levi” (Ml 3, 3), bem purificados no 
fogo das grandes tribulações, bem apegados a Deus, que trarão 
o Ouro do Amor em seus corações, o incenso da oração 
no espírito, e a mirra da mortificação no corpo.
Serão por toda parte o “bom odor de Jesus Cristo”: 
odor de vida para os pobres, os pequenos e os humildes; odor 
de morte para os grandes, os ricos e orgulhosos mundanos (2 
Cor 2, 15-16). 

57. Serão “nuvens tonitruantes” ( Mc 3, 17; Sl 103, 7), 
que voarão pelos ares ao menor sopro do Espírito Santo. E, 
sem se apegarem a coisa alguma, nem se admirarem ou inquietarem, 
espalharão a chuva da Palavra de Deus e da Vida Eterna. 
Bradarão contra o pecado, clamarão contra o mundo, 
fulminarão o demônio e seus adeptos. Atravessarão de lado a 
lado, para a vida ou para a morte, com a espada de dois gumes 
da Palavra de Deus (Ef 6, 17; Hb 4, 12), todos aqueles a 
quem forem enviados da parte do Altíssimo. 

58. Serão verdadeiros apóstolos dos últimos tempos, a 
quem o Senhor das virtudes dará a palavra e a força para operar 
maravilhas e arrebatar gloriosos despojos ao inimigo. 
Dormirão sem ouro nem prata e, o que é mais, sem cuidados, 
no meio dos outros sacerdotes eclesiásticos e clérigos (Sl 67, 
14). Terão, no entanto, as asas prateadas da pomba, para irem, 
com a reta intenção da glória de Deus e da salvação das almas, 
aonde o Espírito Santo os chamar. Deixarão após si, nos 
lugares onde tiverem pregado, o ouro da caridade, que é o 
cumprimento de toda a Lei (Rm 13, 10). 

59. Sabemos, enfim, que serão os verdadeiros discípulos 
de Jesus Cristo, que seguirão as pegadas da sua pobreza, humildade, 
desprezo do mundo e caridade. Ensinarão o estreito 
caminho de Deus na pura verdade, segundo o Santo Evangelho 
e não segundo as máximas do mundo, sem se colocar em 
inquietação nem fazer acepção de pessoas, sem poupar, escutar 
ou temer nenhum mortal, por poderoso que seja. 

Terão nos lábios a espada de dois gumes, que é a Palavra 
de Deus; trarão aos ombros o estandarte sangrento da Cruz, 
o crucifixo na mão direita, o Rosário na esquerda, os sagrados 
nomes de Jesus e Maria no coração, e a modéstia e 
mortificação de Jesus Cristo em toda a sua conduta. 

Eis os grandes homens que hão de vir, mas que Maria 
suscitará por ordem do Altíssimo, para estender o seu Império 
sobre o dos ímpios, idólatras e maometanos. Quando e como 
acontecerá isto?... Só Deus o sabe. Quanto a nós, apenas nos 
compete calar, rezar, suspirar e esperar: “Esperei ansiosamente o 
Senhor” (Sl 39, 2).